Recebi um tapão na mente, daqueles para acordar mesmo! Houve um dia que choveu muito no Festival e eu estava acampada. Fui dormir, a chuva caia, mas ainda bem que o frio não era muito. Acordei e fui tomar banho e a chuva continuava. Quando sai do banho, a chuva continuava lá no mesmo lugar. Por que ela não ia embora??? Minha mente começou a ficar incomodada. Deixei as coisas na barraca e fui tomar café com meu companheiro guarda-chuvas. Peguei um café e um pedaço de bolo e sentei confortavelmente em um banco onde haviam outras pessoas. E, havia um senhor na minha frente sozinho, nós nos olhamos e começamos a conversar. No festival é muito freqüente conversarmos e trocarmos experiências com outras pessoas e todas são muito queridas!!! De repente, o senhor que se chama Lynn veio se sentar ao meu lado e começou a contar histórias de sua viagem ao Nepal em 1966. E vou compartilhá-las com vocês! Atenção: esses acontecimentos são verídicos!!!
História 1:
O Lynn ficou doente e foi para o hospital no Nepal. Lá havia um senhor que tinha 2 vértebras das costas quebradas e ficava numa posição com as pernas dobradas devido a um problema na pele das pernas que estavam em carne viva. Imaginem um pouquinho a dor desse ser!!!
Como esse ser foi parar no hospital?
Bem, ele morava nas montanhas do Himalaia, num pequeno povoado onde a religião era budista. Um amigo de seu vilarejo havia lhe dito que haviam chegado médicos de pele branca no hospital da principal região. Detalhe: ele nunca havia visto uma pessoa de pele branca a não ser as deidades búdicas que se chamam Avalokitesvara (emanação da compaixão de Buda Shakyamuni) e Arya Tara (emanação do poder da purificação de Buda Shakyamuni).
Assim, ele concluiu que esses médicos deviam ser esses budas e que o Hospital era a Terra Pura. Então, ele decidiu ir até o hospital. Só que ele não tinha nenhum tipo de transporte e saiu de sua casa, se locomovendo com suas mãos, utilizando suas mãos como pés. E a jornada era como se fossem 2 semanas de caminhada com os pés... Imaginem com as mãos!
Ao chegar ao hospital, foi levado para o mesmo quarto onde o Lynn estava. O Lynn disse que ele estava super machucado e que com uma grande dor, mas mesmo assim seu sorriso resplandecia no rosto porque havia visto os médicos e acreditava que estava na Terra Pura de Avalokitesvara e Arya Tara e sua mente feliz fez com que seu problema físico não tivesse importância. Independente de religião e crenças, que exemplo de fé inabalável!
E eu me chateando com um pouquinho de chuva!!! Água que cai do céu! Que que é isso!!! Esse história foi um tapão na minha cara: acorda Claudia e veja como é afortunada!!!
História 2:
O Lynn estava hospedado em um pequeno e bem modesto vilarejo no Nepal, onde havia apenas um banheiro para toda vila, aqueles com o buraco no chão e com cercadinho de madeira em volta para fazer a cabaninha. Todos da vila usavam o mesmo banheiro.
Um dia o chefe do vilarejo soube que estavam jogando papel dentro do buraco o que não podia ser feito. Ninguém usava papel na vila, era caro. Eles se limpavam com a mão e depois a lavavam. Assim, ele pediu para as crianças da Vila ficarem espionando por entre os vãos do cercadinho quem estava jogando o papel dentro do buraco. E, era o estrangeiro branco que fazia isso, o Lynn.
O chefe chamou o Lynn e lhe disse que não poderia jogar o papel no buraco porque toda vez que jogava o papel, alguém ia lá para tirar. O chefe se explicou dizendo:
- Eu sei que onde você mora há um trono branco, com um botão de prata que manda toda a água para o mar... mas, aqui não temos isso e precisamos cuidar de forma igual para todos.
A partir deste dia o Lynn começou a fazer o mesmo só que como não estava habituado foi parar no hospital da história contada acima.
História 3
Um menino estava com duas vértebras da coluna quebradas. Ele fez uma cirurgia onde tiraram uns pedaços dos ossos do fêmur para restaurar as vértebras. A cirurgia no Nepal era gratuita, os remédios eram pagos e a população não tinha dinheiro para comprar os remédios.
O menino fez a cirurgia, mas como era pobre não tinha dinheiro para comprar os remédios contra dor. Ficou agonizando na cama próxima ao do Lynn. Ele disse que o menino suou de deixar os lençóis ensopados durante 2 semanas.
O Lynn iria receber alta do hospital no dia seguinte e decidiu dar dinheiro a mãe do garoto para compra dos remédios. E, quando saia do hospital, o chefe da vila onde a mãe e o garoto operado moravam, veio conversar com ele. Primeiro, o chefe lhe questionou porque havia dado dinheiro aquela mulher. Ele respondeu que era para ajudá-la a comprar remédio para o filho. O chefe lhe explicou que na vila qualquer tipo de doação era compartilhada com todos conforme a prioridade das necessidades. E, que aquele dinheiro não poderia ir para o garoto operado e, sim para as crianças da escola de acordo com as necessidades prioritárias... E, sobre a dor do garoto operado, ele não seria ajudado, pois ninguém do vilarejo era ajudado nessa ocasião.
Após ouvir essas histórias, olhei nos olhos do Lynn e disse:
- Lynn, muito obrigada!!! E eu aqui ficando triste por causa da chuva!!! De passar um pouco de desconforto!!! Quantas pessoas com condições bem mais desfavoráveis que a minha devem existir e eu reclamando da chuva...
Depois não vi mais o Lynn... Sei que foi uma bela de uma lição!!!
Bom pessoal, acredito que as próximas histórias serão diretamente da Índia!!!
Na verdade posto esse história de hoje já da Índia, de Bodh-Gaia, cidade onde Siddharta Gotama se iluminou! Há uma energia muito forte e maravilhosa por aqui!!!
E, já posso adiantar que essas histórias contadas pelo Lynn são muito factíveis apenas por experienciar a vida e cultura dos indianos... Muita pobreza, doença, sujeira, mas por outro lado a maioria dos indianos é amável!!! Apenas eu me sento como um ET por aqui, pois, para eles os ocidentais são uma atração... Em breve, contarei mais...
Esperam que estejam todos bem!!!
Beijo nos seus corações!!!
Claudia
História 1:
O Lynn ficou doente e foi para o hospital no Nepal. Lá havia um senhor que tinha 2 vértebras das costas quebradas e ficava numa posição com as pernas dobradas devido a um problema na pele das pernas que estavam em carne viva. Imaginem um pouquinho a dor desse ser!!!
Como esse ser foi parar no hospital?
Bem, ele morava nas montanhas do Himalaia, num pequeno povoado onde a religião era budista. Um amigo de seu vilarejo havia lhe dito que haviam chegado médicos de pele branca no hospital da principal região. Detalhe: ele nunca havia visto uma pessoa de pele branca a não ser as deidades búdicas que se chamam Avalokitesvara (emanação da compaixão de Buda Shakyamuni) e Arya Tara (emanação do poder da purificação de Buda Shakyamuni).
Assim, ele concluiu que esses médicos deviam ser esses budas e que o Hospital era a Terra Pura. Então, ele decidiu ir até o hospital. Só que ele não tinha nenhum tipo de transporte e saiu de sua casa, se locomovendo com suas mãos, utilizando suas mãos como pés. E a jornada era como se fossem 2 semanas de caminhada com os pés... Imaginem com as mãos!
Ao chegar ao hospital, foi levado para o mesmo quarto onde o Lynn estava. O Lynn disse que ele estava super machucado e que com uma grande dor, mas mesmo assim seu sorriso resplandecia no rosto porque havia visto os médicos e acreditava que estava na Terra Pura de Avalokitesvara e Arya Tara e sua mente feliz fez com que seu problema físico não tivesse importância. Independente de religião e crenças, que exemplo de fé inabalável!
E eu me chateando com um pouquinho de chuva!!! Água que cai do céu! Que que é isso!!! Esse história foi um tapão na minha cara: acorda Claudia e veja como é afortunada!!!
História 2:
O Lynn estava hospedado em um pequeno e bem modesto vilarejo no Nepal, onde havia apenas um banheiro para toda vila, aqueles com o buraco no chão e com cercadinho de madeira em volta para fazer a cabaninha. Todos da vila usavam o mesmo banheiro.
Um dia o chefe do vilarejo soube que estavam jogando papel dentro do buraco o que não podia ser feito. Ninguém usava papel na vila, era caro. Eles se limpavam com a mão e depois a lavavam. Assim, ele pediu para as crianças da Vila ficarem espionando por entre os vãos do cercadinho quem estava jogando o papel dentro do buraco. E, era o estrangeiro branco que fazia isso, o Lynn.
O chefe chamou o Lynn e lhe disse que não poderia jogar o papel no buraco porque toda vez que jogava o papel, alguém ia lá para tirar. O chefe se explicou dizendo:
- Eu sei que onde você mora há um trono branco, com um botão de prata que manda toda a água para o mar... mas, aqui não temos isso e precisamos cuidar de forma igual para todos.
A partir deste dia o Lynn começou a fazer o mesmo só que como não estava habituado foi parar no hospital da história contada acima.
História 3
Um menino estava com duas vértebras da coluna quebradas. Ele fez uma cirurgia onde tiraram uns pedaços dos ossos do fêmur para restaurar as vértebras. A cirurgia no Nepal era gratuita, os remédios eram pagos e a população não tinha dinheiro para comprar os remédios.
O menino fez a cirurgia, mas como era pobre não tinha dinheiro para comprar os remédios contra dor. Ficou agonizando na cama próxima ao do Lynn. Ele disse que o menino suou de deixar os lençóis ensopados durante 2 semanas.
O Lynn iria receber alta do hospital no dia seguinte e decidiu dar dinheiro a mãe do garoto para compra dos remédios. E, quando saia do hospital, o chefe da vila onde a mãe e o garoto operado moravam, veio conversar com ele. Primeiro, o chefe lhe questionou porque havia dado dinheiro aquela mulher. Ele respondeu que era para ajudá-la a comprar remédio para o filho. O chefe lhe explicou que na vila qualquer tipo de doação era compartilhada com todos conforme a prioridade das necessidades. E, que aquele dinheiro não poderia ir para o garoto operado e, sim para as crianças da escola de acordo com as necessidades prioritárias... E, sobre a dor do garoto operado, ele não seria ajudado, pois ninguém do vilarejo era ajudado nessa ocasião.
Após ouvir essas histórias, olhei nos olhos do Lynn e disse:
- Lynn, muito obrigada!!! E eu aqui ficando triste por causa da chuva!!! De passar um pouco de desconforto!!! Quantas pessoas com condições bem mais desfavoráveis que a minha devem existir e eu reclamando da chuva...
Depois não vi mais o Lynn... Sei que foi uma bela de uma lição!!!
Bom pessoal, acredito que as próximas histórias serão diretamente da Índia!!!
Na verdade posto esse história de hoje já da Índia, de Bodh-Gaia, cidade onde Siddharta Gotama se iluminou! Há uma energia muito forte e maravilhosa por aqui!!!
E, já posso adiantar que essas histórias contadas pelo Lynn são muito factíveis apenas por experienciar a vida e cultura dos indianos... Muita pobreza, doença, sujeira, mas por outro lado a maioria dos indianos é amável!!! Apenas eu me sento como um ET por aqui, pois, para eles os ocidentais são uma atração... Em breve, contarei mais...
Esperam que estejam todos bem!!!
Beijo nos seus corações!!!
Claudia
Clau... que bom ouvir suas histórias... elas servem de tapas para nós também!
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